domingo, 17 de novembro de 2013

Era só mais uma tarde de verão.

Ela acabara de olhar para o relógio e viu que era hora de fugir daquela rotina. Daquele escritório massante que a lembrava, todos os dias, dos seus sonhos perdidos.
Ela voltava todos os dias para a sua casa pelo mesmo caminho. Aquela mesma avenida de três pistas que desembocava na esquina de sua casa.

O vento era escasso. Os problemas de seu trabalho ainda atormentavam seus pensamentos. Ela, definitivamente queria encurtar o caminho e chegar em casa logo, fazer o mesmo de todos os dias: comer, vegetar no sofá dormir e acordar algumas horas depois, para um novo dia. Mas, aquele caminho  de casa, tão despretensioso, tão corriqueiro, seria diferente naquele dia.
Ela caminhava olhando as pedras no chão, pensando, naquele momento, na quantidade de pães que deveria comprar na padaria da esquina, para o seu lanche diário. Sempre sentia muita fome naquele horário.

Foi um simples levantar de olhos.
Foram alguns segundos.
Foram muitos minutos para ela.

Ao erguer a sua cabeça, que estava cabisbaixa, ela viu um semblante masculino. Ele atravessava a rua para o lado em que ela vinha caminhando.

Foi rápido.

Mas, como o tempo é relativo, dependendo da percepção, não foi rápido o suficiente para fazer com que ela não percebesse aquela massa masculina vindo perto de seu encontro.
Algo nele lhe chamou uma atenção especial. Se sentiu atraída por aquela masculinidade que caminhava em sua direção.

Ele portava um cigarro aceso na mão. Caminhava de forma esbelta, de uma maneira que dava a impressão de não se importar com o que acontecia ao seu redor. Parecia não ligar para aquelas pessoas, aqueles carros, aquele calor. Era só ele, a faixa de segurança e o sinal verde, como se nada mais existisse.
Ela observava os seus longos e apressados passos, mas em uma lentidão que só os olhos admirados proporcionam.

Olhou o cabelo dele. Ligeiramente claro, de um tom que possuía nuances iluminadas pelo sol de final de tarde que brilhava naquele momento. Era liso, de um comprimento que, dependendo como o vento batia, encobria-lhe os olhos. A sua barba era farta e, em alguns pontos perto do seu queixo, continha pêlos loiros.
O seu rosto, apesar da distância de alguns metros que o separavam, era forte, masculino e muito harmonioso.

Reparou também na personalidade que suas roupas exalavam. Ele vestia um jeans rasgado, certamente pelo uso prolongado de alguém que realmente não se importava com nenhuma opinião alheia, pensou ela. Usava uma camiseta desbotada, que a fez pressupor que era um homem que dividia um interesse em comum ao dela: a música. Era mais um fator para ela se sentir fatalmente atraída por aquele desconhecido.
Até que ele pisou na calçada e olhou para o seu lado esquerdo.
Seus olhares se cruzaram.

Ela viu que os olhos dele eram coloridos, o esquerdo de um azul intenso e brilhante, enquanto o direito era de um verde claro. Ele era portador de uma mutação genética rara, que o fazia único, como ela nunca tinha visto. A boca era rosada, pequena, tão linda que ela pensou em como seria o gosto daqueles lábios.

O formato de seus traços era tão perfeito e tão bonito, com cores tão vívidas e únicas, que parecia ter sido desenhado por um grande pintor com uma aquarela na mão, após uma grande mistura de lindas cores.
Ele voltou a olhar para frente, e ela continuou acompanhando os seus passos. Ela virou para trás, o fitou até sumir de vista.

Pensou que algo diferente tinha acontecido. Voltou atônita para casa com tamanha beleza. Naqueles duzentos metros que faltavam para chegar em casa, só pensava naquele desconhecido.

Aquele homem que despertou nela algo que nunca havia experimentado.
Se perguntou o que tinha acontecido, mas ao chegar em casa, conseguiu apenas falar:

- Encontrei o homem da minha vida.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

there is no dark side of the moon really. matter of fact it's all dark.

Eu tinha que escrever algo sobre esse livro.
Na verdade, o que importa não é o livro, é a história... é o legado dessa que costuma ser minha banda preferida.
Nos Bastidores do Pink Floyd foi um presente de um amigo e não me trouxe apenas uma leitura biográfica envolvente: mas eu sinto, sinceramente, como se eu conhecesse os gênios que fizeram as músicas que mais preenchem meu coraçãozinho (HAHA).
O livro trouxe algumas conclusões sobre as personalidades conflitantes que faziam parte da banda:
ela continha um músico talvez um pouco inferior aos demais, mas cujo gênio apaziguou muitas das conversas nervosas, este chamado Nick Mason.
Rick Wright, coitado, um pouco atormentado por sua vida pessoal que acabou por ser expulso pelo ego do homem da criação, Roger Waters. E claro, não poderia faltar o cara que colocava a melodia nos conceitos do Roger, o gênio gênio David Gilmour.

Nas últimas páginas, aquele aperto ao ler sobre os bastidores do Live 8, a última reunião dos quatro membros. Os sorrisos amarelos, as mágoas, as alfinetadas.... todas se perderam por 20 minutos.
E eu confesso: sou uma pessoa livre de inveja... mas aqueles que estavam no Hyde Park naquele dia são uns filhos de umas putas!

veja o Pink Floyd no Live 8 aqui.

o livro é ÓTIMO. se você é fã como eu, leia ;] .



terça-feira, 8 de maio de 2012

in my secret life.

I saw you this morning.
You were moving so fast.
Can’t seem to loosen my grip
On the past.
And I miss you so much.
There’s no one in sight.
And we’re still making love
In My Secret Life.

I smile when I’m angry.
I cheat and I lie.
I do what I have to do
To get by.
But I know what is wrong,
And I know what is right.
And I’d die for the truth
In My Secret Life.

Hold on, hold on, my brother.
My sister, hold on tight.
I finally got my orders.
I’ll be marching through the morning,
Marching through the night,
Moving cross the borders
Of My Secret Life.

Looked through the paper.
Makes you want to cry.
Nobody cares if the people
Live or die.
And the dealer wants you thinking
That it’s either black or white.
Thank G-d it’s not that simple
In My Secret Life.

I bite my lip.
I buy what I’m told:
From the latest hit,
To the wisdom of old.
But I’m always alone.
And my heart is like ice.
And it’s crowded and cold
In My Secret Life.



[Leonard Cohen - In my secret life]

terça-feira, 27 de março de 2012

another brick in THE WALL!

Não sei desde quando eu estou acostumada a ouvir Pink Floyd.
Uma coisa que eu lembro é que, quando eu tinha uns 5 anos, eu AMAVA o cachorro latindo no meio da música Dogs, ainda mais quando o Bóris (meu cachorro) uivava junto com ele.

Mas, eu herdei aquele sentimento de "o-Roger-Waters-acabou-com-o-Pink-Floyd" do meu pai e, juro que essa, digamos, antipatia persistia até domingo.

Era uma sensação a la Lennon e Yoko destruindo os Beatles.
Mas, assim como Lennon+McCartney foram o ápice dos Beatles, o The Wall, obra (de arte!) assinada em 99% pelo Roger também não está no meu top 3. Prefiro a genialidade dos 4 juntos em Animals, Dark Side of The Moon e Wish You Were Here.

PORÉM, domingo (25/03/2012) eu vi o maior ESPETÁCULO que eu já presenciei na vida.
Uma verdadeira peça de teatro GIGANTESCA na frente de um muro de 147m.

O Waters buscou suprimir os companheiros de banda? SIM.
Ele não é mais carismático que o Gilmour ou o Wright? NÃO.
Mas ele AMA o The Wall. Isso deu para perceber.
Ele adora o politicismo conceitual do álbum - o que, cá para nós, faz mesmo sentido... ou você não teve um nó na garganta ao ver/ouvir Bring The Boys Back Home?

Um SHOWZAÇO de um dos integrantes da banda mais criativa que já existiu.
(Poderia ter dito também da minha banda preferida FOREVER.)

A música é realmente mágica.


(nenhuma foto ficou boa)
(durante o intervalo do show!)