sábado, 7 de junho de 2014

meu amigo se foi....

01.05.1994 e 07.06.2014.
Se me perguntassem dois dias que marcaram, de uma forma muito triste a minha vida, seriam estes dois.
Ambos com algo em comum: a partida de um ídolo.
Há 20 anos foi o Senna. Hoje, o Fernandão.
Hoje, entretanto, o pesar é diferente. Parece que foi um amigo.
Na verdade, não parece: sim, se foi um amigo, um familiar. Um amigo que, toda a semana, estava lá usando a camisa do meu Inter e me representando em campo. Membro da minha família alvi-rubro.  Mais que um amigo. Um exemplo. Um ídolo.
Aquele que eu gostaria de ter encontrado na rua e dito o quão importante ele foi na minha vida,como me fez feliz, mesmo sem saber da minha existência, sem pedir nada em troca. Creio que o pior de tudo é isso: eu não disse para ele tudo que eu gostaria de ter dito.
Eu gostaria de ter dito que eu achava ele, primeiro de tudo, um excelente jogador de futebol. Que aquele gol 1000 no greNAL de estréia no Inter foi sensacional. Um espetáculo de cabeçada. Ah! E como esquecer daquele passe para o gol do Tinga, no glorioso 16.08.2006? E o gol - mais caído do que em pé - que calou o Morumbi?
Eu queria ter dito que eu quase tive um ataque, que senti um desespero tão grande quando ele não aguentou mais as cãibras e foi substituído naquele mágico jogo do mundial que o próprio nome já dizia: era INTERclubes. Até quando ele saía de cena, como neste caso, era iluminado: foi substituído pelo Gabiru e dos pés deste saiu o gol da vitória. Diria sim, que é por causa DELE que ganhamos o mundial. Não só por isso, mas pelo vestiário. Nunca me esquecerei a quantidade de vezes que a palavra "PORRA" saiu da boca dele para nos conduzir a vitória.
Eu contaria que arranjei uma bela discussão no estádio na última vez que nos vimos, naquele jogo Coritiba x Inter em 2012. Porque umas cinco pessoas atrás de mim o vaiavam e eu disse: "por favor!!! é o Fernandão!!! Nosso Fernandão!!! Nunca, NUNCA devemos vaiar o Fernandão!!!". E aí eu pediria desculpas. Não por mim, mas pela pequena parcela que não o apoiou quando ele foi treinador do Inter.
Mas eu também falaria que esta parcela, pequena que seja, também chora hoje. Diria que foi momentâneo.
Eu falaria que ele foi capitão. Que ele foi mestre. Que ele foi o MAIOR.
Sim, ele foi o MAIOR.
E eu, quando imagino a cena que queria tanto que tivesse acontecido, penso que talvez eu não conseguisse falar nada. Tenho certeza que o olharia, pediria um abraço e choraria.

Ele entenderia.
Porque ele era meu amigo. Ele era nosso amigo.

Hoje as lágrimas foram companheiras dos meus olhos. Cada lembrança, cada foto, cada palavra não dita.
Porque meu amigo se foi. Meu amigo Fernandão.

Eternidade é pouco para uma estrela.

                                                           (Fernando Lúcio GARRA Costa)

                                         (Fernandão fazendo aquilo que todo colorado gostaria de fazer) 

                                    (porque ele me proporcionou o dia mais feliz da minha vida. 17.12.2006)


domingo, 17 de novembro de 2013

Era só mais uma tarde de verão.

Ela acabara de olhar para o relógio e viu que era hora de fugir daquela rotina. Daquele escritório massante que a lembrava, todos os dias, dos seus sonhos perdidos.
Ela voltava todos os dias para a sua casa pelo mesmo caminho. Aquela mesma avenida de três pistas que desembocava na esquina de sua casa.

O vento era escasso. Os problemas de seu trabalho ainda atormentavam seus pensamentos. Ela, definitivamente queria encurtar o caminho e chegar em casa logo, fazer o mesmo de todos os dias: comer, vegetar no sofá dormir e acordar algumas horas depois, para um novo dia. Mas, aquele caminho  de casa, tão despretensioso, tão corriqueiro, seria diferente naquele dia.
Ela caminhava olhando as pedras no chão, pensando, naquele momento, na quantidade de pães que deveria comprar na padaria da esquina, para o seu lanche diário. Sempre sentia muita fome naquele horário.

Foi um simples levantar de olhos.
Foram alguns segundos.
Foram muitos minutos para ela.

Ao erguer a sua cabeça, que estava cabisbaixa, ela viu um semblante masculino. Ele atravessava a rua para o lado em que ela vinha caminhando.

Foi rápido.

Mas, como o tempo é relativo, dependendo da percepção, não foi rápido o suficiente para fazer com que ela não percebesse aquela massa masculina vindo perto de seu encontro.
Algo nele lhe chamou uma atenção especial. Se sentiu atraída por aquela masculinidade que caminhava em sua direção.

Ele portava um cigarro aceso na mão. Caminhava de forma esbelta, de uma maneira que dava a impressão de não se importar com o que acontecia ao seu redor. Parecia não ligar para aquelas pessoas, aqueles carros, aquele calor. Era só ele, a faixa de segurança e o sinal verde, como se nada mais existisse.
Ela observava os seus longos e apressados passos, mas em uma lentidão que só os olhos admirados proporcionam.

Olhou o cabelo dele. Ligeiramente claro, de um tom que possuía nuances iluminadas pelo sol de final de tarde que brilhava naquele momento. Era liso, de um comprimento que, dependendo como o vento batia, encobria-lhe os olhos. A sua barba era farta e, em alguns pontos perto do seu queixo, continha pêlos loiros.
O seu rosto, apesar da distância de alguns metros que o separavam, era forte, masculino e muito harmonioso.

Reparou também na personalidade que suas roupas exalavam. Ele vestia um jeans rasgado, certamente pelo uso prolongado de alguém que realmente não se importava com nenhuma opinião alheia, pensou ela. Usava uma camiseta desbotada, que a fez pressupor que era um homem que dividia um interesse em comum ao dela: a música. Era mais um fator para ela se sentir fatalmente atraída por aquele desconhecido.
Até que ele pisou na calçada e olhou para o seu lado esquerdo.
Seus olhares se cruzaram.

Ela viu que os olhos dele eram coloridos, o esquerdo de um azul intenso e brilhante, enquanto o direito era de um verde claro. Ele era portador de uma mutação genética rara, que o fazia único, como ela nunca tinha visto. A boca era rosada, pequena, tão linda que ela pensou em como seria o gosto daqueles lábios.

O formato de seus traços era tão perfeito e tão bonito, com cores tão vívidas e únicas, que parecia ter sido desenhado por um grande pintor com uma aquarela na mão, após uma grande mistura de lindas cores.
Ele voltou a olhar para frente, e ela continuou acompanhando os seus passos. Ela virou para trás, o fitou até sumir de vista.

Pensou que algo diferente tinha acontecido. Voltou atônita para casa com tamanha beleza. Naqueles duzentos metros que faltavam para chegar em casa, só pensava naquele desconhecido.

Aquele homem que despertou nela algo que nunca havia experimentado.
Se perguntou o que tinha acontecido, mas ao chegar em casa, conseguiu apenas falar:

- Encontrei o homem da minha vida.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

there is no dark side of the moon really. matter of fact it's all dark.

Eu tinha que escrever algo sobre esse livro.
Na verdade, o que importa não é o livro, é a história... é o legado dessa que costuma ser minha banda preferida.
Nos Bastidores do Pink Floyd foi um presente de um amigo e não me trouxe apenas uma leitura biográfica envolvente: mas eu sinto, sinceramente, como se eu conhecesse os gênios que fizeram as músicas que mais preenchem meu coraçãozinho (HAHA).
O livro trouxe algumas conclusões sobre as personalidades conflitantes que faziam parte da banda:
ela continha um músico talvez um pouco inferior aos demais, mas cujo gênio apaziguou muitas das conversas nervosas, este chamado Nick Mason.
Rick Wright, coitado, um pouco atormentado por sua vida pessoal que acabou por ser expulso pelo ego do homem da criação, Roger Waters. E claro, não poderia faltar o cara que colocava a melodia nos conceitos do Roger, o gênio gênio David Gilmour.

Nas últimas páginas, aquele aperto ao ler sobre os bastidores do Live 8, a última reunião dos quatro membros. Os sorrisos amarelos, as mágoas, as alfinetadas.... todas se perderam por 20 minutos.
E eu confesso: sou uma pessoa livre de inveja... mas aqueles que estavam no Hyde Park naquele dia são uns filhos de umas putas!

veja o Pink Floyd no Live 8 aqui.

o livro é ÓTIMO. se você é fã como eu, leia ;] .



terça-feira, 8 de maio de 2012

in my secret life.

I saw you this morning.
You were moving so fast.
Can’t seem to loosen my grip
On the past.
And I miss you so much.
There’s no one in sight.
And we’re still making love
In My Secret Life.

I smile when I’m angry.
I cheat and I lie.
I do what I have to do
To get by.
But I know what is wrong,
And I know what is right.
And I’d die for the truth
In My Secret Life.

Hold on, hold on, my brother.
My sister, hold on tight.
I finally got my orders.
I’ll be marching through the morning,
Marching through the night,
Moving cross the borders
Of My Secret Life.

Looked through the paper.
Makes you want to cry.
Nobody cares if the people
Live or die.
And the dealer wants you thinking
That it’s either black or white.
Thank G-d it’s not that simple
In My Secret Life.

I bite my lip.
I buy what I’m told:
From the latest hit,
To the wisdom of old.
But I’m always alone.
And my heart is like ice.
And it’s crowded and cold
In My Secret Life.



[Leonard Cohen - In my secret life]